SPARK: um ano depois, o rumo estava certo

Set 14, 2026 .

SPARK: um ano depois, o rumo estava certo

“Não há ventos favoráveis para quem não conhece o seu rumo.”
Há um ano iniciámos uma experiência. Na altura não sabíamos exatamente onde nos levaria. Nem sequer tinha ainda o nome SPARK. O que sabíamos era algo mais importante: existia um problema que precisávamos de resolver.

Durante demasiado tempo, a indústria tecnológica convenceu-se de que aprender significava consumir conhecimento. Cursos. Certificações. Webinars. Horas e horas de conteúdos. Como se a acumulação de informação fosse, por si só, preparação para o futuro. Mas não é.

A tecnologia evolui demasiado depressa para que o conhecimento permaneça relevante durante muito tempo. O que realmente diferencia profissionais e organizações não é aquilo que sabem num determinado momento. É a velocidade a que conseguem aprender, adaptar-se e aplicar esse conhecimento quando o contexto muda. Foi precisamente desta convicção que nasceu o SPARK.

Não como um programa de formação. Não como uma academia interna. Mas como um espaço onde a aprendizagem deixava de ser teórica para passar a ser prática. Um ambiente onde experimentar, construir, falhar e corrigir fazia parte do processo. A ideia era simples: se queremos preparar pessoas para desafios reais, temos de lhes dar problemas reais para resolver. Ao longo do último ano essa convicção foi sendo confirmada.

Percebemos que a aprendizagem mais eficaz não acontece quando alguém nos explica uma tecnologia. Acontece quando somos obrigados a utilizá-la. Quando existe um objetivo concreto, um prazo para cumprir e a responsabilidade de entregar resultados.
Foi essa constatação que acabou por moldar a estrutura do SPARK.

Os Bootcamps trouxeram intensidade e execução. Os Brown Bags criaram espaços de partilha aberta de conhecimento. Os MVPs permitiram transformar investigação em ativos concretos e reutilizáveis. Mas a maior descoberta não esteve na metodologia.

Este último ano demonstrou algo que muitas organizações ainda hesitam em reconhecer: a aprendizagem contínua não é uma atividade de suporte ao negócio. É uma atividade estratégica.
Num mercado onde a mudança é permanente, a capacidade de aprender mais rapidamente tornou-se uma vantagem competitiva.

Talvez por isso a Inteligência Artificial tenha assumido um papel tão central nesta jornada. Não porque fosse uma tendência inevitável. Nem porque fosse um tema popular. Mas porque representa uma das maiores transformações da forma como trabalhamos desde o aparecimento da Internet. A verdadeira questão nunca foi perceber se a IA iria alterar o mercado. A questão era saber se estaríamos preparados quando isso acontecesse.

O SPARK ajudou-nos a construir essa preparação. Permitiu desenvolver literacia em IA, experimentar casos de utilização concretos, criar ativos reutilizáveis e formar profissionais capazes de utilizar estas tecnologias de forma crítica e produtiva.
E talvez a prova mais evidente de que a iniciativa estava a gerar valor tenha surgido de forma inesperada. O aparecimento do REBOOT.

Quando uma iniciativa deixa de responder apenas a necessidades internas e começa a revelar potencial para clientes, algo mudou. O REBOOT não nasceu de um plano previamente definido. Nasceu porque a metodologia, as aprendizagens e os resultados obtidos demonstraram que existia valor que podia ser escalado. Aquilo que começou como uma experiência tornou-se uma abordagem. Aquilo que nasceu para desenvolver competências internas começou a gerar impacto muito para além delas. Um ano depois, quando olho para trás, não acredito que o maior sucesso do SPARK esteja nos workshops realizados, nos documentos produzidos ou nos ativos criados. O verdadeiro sucesso está nas pessoas.

Nas pessoas que passaram por esta experiência e regressaram aos seus projetos mais preparadas, mais confiantes e mais capazes de navegar um contexto tecnológico cada vez mais complexo. Porque, no final, a tecnologia muda constantemente. A capacidade de aprender é que permanece. E é precisamente por isso que continuo convencido de que o rumo está certo.

Nuno Milagres, Coordenador do Centro de Inovação de Vila Real & Delivery Transformation Lead, Softinsa